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500 times

18 Curiosidades Inusitadas Sobre as Camisas dos 500 Times do Brasil (Direto da Revista Placar)

18 Curiosidades Inusitadas Sobre as Camisas dos 500 Times do Brasil (Direto da Revista Placar)

A revista Placar mapeou 500 times do Brasil em uma edição especial que é hoje um documento histórico do futebol nacional. Em cada ficha, além de endereço e títulos, a Placar registrou o uniforme (U:), a mascote (M:), o apelido (A:) e uma curiosidade por clube. O que emergiu desse levantamento é um retrato fascinante e muitas vezes cômico da identidade visual do futebol brasileiro — das escolhas mais surpreendentes de cores e nomes até os uniformes que carregam histórias que nenhum torcedor esperaria encontrar. Este é o artigo que reuém as mais inusitadas.


1. O Flamengo que não tem nada a ver com o Flamengo

No interior de Pernambuco existe um Flamengo Esporte Clube de Arcoverde — fundado em 1959, com camisa listrada em vermelho e preto, mascote chamado Tigre do Sertão e apelido de Tiguera. A curiosidade registrada pela Placar é direta: “Este Flamengo não tem nenhuma relação com o Sport Club Flamengo, de Recife, primeiro campeão pernambucano da história.” Há pelo menos quatro times chamados Flamengo no estado de Pernambuco. A camisa vermelha e preta percorre o Brasil inteiro — do Maracanã ao sertão nordestino.

2. O Independente do Amapá que copiou o Palmeiras — menos o nome

O Independente Esporte Clube, de Santana (AP), usa uniforme verde, branco e verde, tem um escudo muito semelhante ao do Palmeiras e até um nome parecido com o Internacional. A curiosidade da Placar explica tudo: “O Independente usa o uniforme e tem um escudo semelhante ao Palmeiras. Porém, ao contrário dos rivais do Amapá (Santos e São Paulo), optou por não usar o mesmo nome do clube em que se inspirou.” É uma rara manifestação de originalidade no meio da cópia: pegou tudo do Palmeiras, exceto o nome.

3. O Santos do Amapá que copiou até o escudo

Falando em cópias: o Santos Futebol Clube de Macapá (AP) “adotou o nome, as cores e o escudo do time paulista. O escudo, aliás, parece não ter sido lapidado à altura do time de Pelé e Cia.” O clube disputou duas Copas do Brasil (2000 e 2001) e foi eliminado logo de cara nas duas vezes. O curioso é que o responsável pelas duas derrotas foi o mesmo time: o Remo. Um Santos que perde sempre pro Remo — Pelé não aprovaria.

4. O Colo-Colo da Bahia que foi ao Buenos Aires para trazer o uniforme

O Colo-Colo Futebol e Regatas de Ilhéus (BA) tem uma história de origem impressionante. Em 1948, o diretor José Haroldo de Castro foi à Argentina e trouxe um uniforme do Boca Juniors — azul e amarelo. O design agradou a todos e o clube adotou a mesma camisa do time porteño. O nome, no entanto, foi inspirado em outra equipe sul-americana: o Colo-Colo, do Chile. Resultado: camisa argentina, nome chileno, clube baiano. Uma obra de sincretismo sul-americano.

5. O Corinthians do Rio Grande do Norte que não escreve Corinthians

Em Caicó (RN), existe o Atlético Clube Corintians — assim mesmo, sem o ‘h’. A Placar explica com detalhe: “Não é erro, não. O nome deste Corintians é o mesmo com acento e sem ‘h’. A ideia dos fundadores era homenagear o Timão de São Paulo, mas sem estrangeirismos. A âncora e os remos do escudo foram mantidos, embora Caicó fique no sertão potiguar, onde a única atividade aquática consiste em virar copos de água goela abaixo.” Uma homenagem a um time de futebol fundada por pessoas em pleno sertão à beira de nenhum rio.

6. O time com a mestra de costura como mascote

O Ypiranga de Santa Cruz do Capibaribe (PE) tem como mascote uma máquina de costura — referência ao grande polo de produção de roupas em que se transformou a cidade pernambucana. A camisa do clube é azul, e o apelido é “Máquina de Costura”. Em um país onde leoões, galos e tigres dominam as mascotes, um time que se identifica com um equipamento têxtil é uma raridade absoluta.

7. O time onde os jogadores atravessavam hemisférios durante os jogos

O Cristal, de Macapá (AP), manda seus jogos no estádio Milton Rodrigues, mais conhecido como Zerão. O motivo do apelido: o meio-campo fica exatamente sobre a Linha do Equador, no marco zero. Durante as partidas, quando a bola passava de um lado ao outro, os jogadores atravessavam do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul diversas vezes. A camisa vermelha do Cristal é, portanto, um dos poucos uniformes de futebol no mundo que cruzou o Equador em campo.

8. A mascote que decidiu a camisa: o Ipatinga e as 12.538 cartas

O Ipatinga Futebol Clube (MG) realizou um concurso para escolher a mascote do clube. Foram recebidas 12.538 cartas de voto. Em segundo lugar ficou o Gato (845 votos), seguido por Periquito (713) e Papagaio (202). O vencedor, com 2.529 votos, foi o Tigre — mascote eleito pela população. A camisa branca do clube passou a ostentar o Tigre como símbolo. Uma das poucas mascotes verdadeiramente democráticas do futebol brasileiro.

9. O Moto Club que começou para andar de moto

O Moto Club de São Luís (MA) foi fundado em 1937 por jovens motoqueiros que praticavam apenas ciclismo e motociclismo. Com o nome de Ciclo Moto, o clube passou a se chamar Moto Club em 1932, quando entrou no futebol. A camisa horizontal em vermelho e preto do Moto Club é uma das mais reconhecíveis do Maranhão — e revelou dois jogadores importantes: Kléberson, campeão mundial pelo Atlético Paranaense em 2001 e pela Seleção em 2002, e o goleiro Clémer, titular do Flamengo de 1997 a 2001. Um clube nascido para andar de moto que revelou um campeão do mundo.

10. O Vasco do Acre que mandou 10 jogos de camisa para o pobre

O Vasco da Gama de Rio Branco (AC) tem a mesma camisa, escudo e até o mesmo nome do clube carioca — com faixa diagonal preta no peito. A curiosidade da Placar é impagável: em 2000, o presidente do Vasco do Rio de Janeiro, Euríco Miranda, mandou 10 jogos de camisa para o primo pobre do Acre, além de 120 bolas e 90 pares de chuteiras. A identidade visual do Vasco percorre o Brasil de ponta a ponta — do Maracanã à Amazônia, a faixa diagonal é sempre reconhecível.

11. O time que mudou de nome para sair da imagem de uma destilaria

Em 1995, o Destilaria Futebol Clube de Cabo de Santo Agostinho (PE) resolveu que aquele nome estava prejudicando a imagem do clube. O time tomava muita cachaça de uma suposta destilaria e era frequentemente goleado. Mudou o nome para Cabense, em homenagem à cidade, e trocou a camisa. A Placar resume: “Não que o time tomasse muita cachaça de alguma saposta destilaria. Tomava muita goleada mesmo.” Uma mudança de identidade visual motivada por excesso de gols sofridos.

12. O torcedor do Rio Negro que pendurou a toalha vermelha

Na década de 70, os torcedores do Rio Negro (AM) sabiam de antemo que seu time faria uma boa apresentação frente ao adversitário. Se o goleiro Clóvis pendu rasse uma toalha vermelha nas próprias redes durante o aquecimento, certamente o Rio Negro não seria derrotado. A camisa branca com faixa horizontal preta e vermelha do clube ficou ligada para sempre a essa lenda do goleiro. Clóvis orgulhava-se de nunca ter perdido um Rio-Nal com a toalha pendurada.

13. O time mais antigo do Brasil que muita gente nunca ouviu falar

O Sport Club Rio Grande, fundado em 19 de julho de 1900 no Rio Grande do Sul, é o clube de futebol mais antigo do Brasil em atividade. É anterior ao Fluminense (1902), ao Santos (1912) e ao Corinthians (1910). A camisa do Rio Grande é listrada em verde, vermelho e amarelo — uma combinação inusitada que existe no futebol gaúcho há mais de 120 anos. O hino do clube diz: “Do passado ao presente glorioso, o teu nome fulgura e se expande, porque é o mais velho e garboso, do Brasil e do nosso Rio Grande.” Não há exagero.

14. O São Caetano que usa roxo — e por quê

O São Caetano (SP) usa azul, azul e azuis — uma camisa que a Placar descreve como simplesmente “Azul”. Mas o clube ficou famoso em 2002 pela camisa roxa que usou durante a campanha que quase lhe rendeu o título da Libertadores. A peculiaridade: o apelido da equipe naquela época era “Azulim”. O São Caetano é um dos poucos times brasileiros com história relevante no futebol nacional que adotou o roxo como cor do uniforme alternativo — uma tonalidade pratic amente inexistente no futebol brasileiro.

15. As cores mais comuns — e por que o azul domina

O levantamento da Placar dos 500 times revelou algo curioso sobre os uniformes do futebol brasileiro: a cor dominante nas camisas principais é o azul, presente em 77 times — mais do que o branco (67), o verde (55), o vermelho (43) e o preto. O azul e branco vertical é a combinação mais frequente no futebol nacional. Em um país verde-amarelo, o futebol é fundamentalmente azul.

16. As mascotes mais estranhas do futebol brasileiro

A Placar catalogou os bichos mais incomuns adotados como mascote pelos 500 times. A lista incluí: Alemazinho (15 de Novembro-RS), Burro (Taubaté-SP), Calhambeque (Auto Esporte-PB), Camaleão (Gurupi-TO), Dinosauro (Sousa-PB), ET (Varginha-MG), Hulk (Tocantins-TO) e Máquina de Costura (Ypiranga-PE). O futebol brasileiro é o único esporte no mundo com um time cujo símbolo é um alienígena — e outro cujo símbolo é uma linha de montagem têxtil.

17. O São José que tentou um patrocínio com uma fábrica de tintas

O São José (RS) tentou, em 1996, uma parceria com a indústria de tintas Renner para reeditar o lendário uniforme Renner (Campeão do Estado em 1954). Até mudou o uniforme, que passou a ser uma camisa vermelha e branca e uma faixa branca diagonal. Mas a ideia deu muito certo: o time era muito fraco e a empresa desistiu após um ano de contrato. Uma das histórias mais curiosas de parceria entre camisa e patrocinio no futebol gaúcho.

18. O Gazelaó que vive no bairro e virou nome de mascote

O São Gabriel (RS) tem uma origem peculiar: fundado em 1979, o clube teve um belo início no futebol gaúcho. Em seu segundo ano, foi vice-campeão da segunda divisão e, em 1981, disputou a Primeirona. A mascote do clube, o Boi, veio do nome do bairro onde o clube nasceu — e não, como muitos pensam, de alguma tradição pecuária local.


O futebol brasileiro é vasto demais para caber apenas nos grandes clubes que aparecem na TV. Por trás de cada camisa — mesmo a de um time do interior do Acre ou do sertão pernambucano — existe uma história, uma comunidade, uma identidade. E todas essas camisas, grandes e pequenas, famosas e desconhecidas, merecem ser originais. Na Garrincha Shirts, preservamos essa cultura desde 2002 — porque o futebol real está no tecido, não na réplica. Confira as avaliações dos nossos compradores em Trustindex.

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