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Copa do Mundo 2026: o que os números já revelam

Copa do Mundo 2026: ranking ELO e média de gols do torneio

Análise baseada em ELO ajustado por Dixon-Coles, dados oficiais FIFA EFI (Enhanced Football Intelligence) e resultados reais dos 83 jogos disputados até agora — grupos + dieciseisavos de final.

Chegamos à fase eliminatória e os dados começam a contar uma história mais clara do que os prognósticos de pré-Copa sugeriam. Reunimos aqui os números que realmente importam: quem manda no ranking de força, quem está superando (ou decepcionando) as expectativas do modelo, como cada seleção classificada gosta de jogar, e o que os dados físicos oficiais da FIFA revelam sobre o desgaste do torneio.


1. O ranking de força real (ELO pós-grupos + dieciseisavos)

Esquece o ranking FIFA pré-Copa. Depois de 83 jogos, o sistema ELO — recalculado partida a partida, com bônus de mando de campo e multiplicador por margem de vitória — mostra uma ordem de forças bem definida no topo:

# Seleção ELO
1 🇫🇷 França 2065
2 🇪🇸 Espanha 2024
3 🏴 Inglaterra 2007
4 🇦🇷 Argentina 2003
5 🇧🇷 Brasil 1980
6 🇵🇹 Portugal 1940
7 🇳🇱 Holanda 1924
8 🇩🇪 Alemanha 1906
9 🇨🇴 Colômbia 1901
10 🇳🇴 Noruega 1898

A França assumiu a ponta de forma folgada — não só venceu, mas o fez de forma dominante (veja o item 2). O que salta aos olhos é a Noruega no top 10: sem tradição recente de destaque, mas com um ataque que está entre os mais produtivos do torneio (ver abaixo), puxado pela dupla Haaland-Odegaard.

2. Quem manda no ataque

A média de gols do torneio está em 2,94 gols por jogo — número alto para um Mundial, puxado por um punhado de seleções que estão goleando sistematicamente:

Seleção Gols marcados Jogos
🇫🇷 França 13 4
🇳🇱 Holanda 11 4
🇩🇪 Alemanha 11 4
🇳🇴 Noruega 10 4
🇺🇸 Estados Unidos 10 4
🇸🇳 Senegal 10 4

E na outra ponta, a defesa mais sólida do torneio (por xG contra, não só gols sofridos — métrica mais confiável porque não depende da sorte de quem defende):

Seleção xGA/jogo
🇪🇸 Espanha 0.50
🇦🇷 Argentina 0.54
🇨🇦 Canadá 0.67
🇲🇽 México 0.75
🇬🇭 Gana 0.79
🇧🇷 Brasil 0.80

Interessante notar que Espanha e Argentina aparecem como as defesas mais difíceis de vazar segundo o modelo, mesmo sem serem necessariammente lembradas por isso.

3. Quem está surpreendendo (pra cima e pra baixo)

Aqui é onde os dados ficam realmente interessantes. Calculamos delta_pts — a diferença entre os pontos que cada seleção realmente conquistou e os pontos que o modelo (ELO + Dixon-Coles) esperava que conquistasse dado o nível dos adversários enfrentados. Não é sorte pura, mas é o retrato mais honesto de quem está "jogando acima do papel" vs quem está devendo.

Surpreendendo pra cima:

Seleção delta_pts
🇲🇽 México +2.67
🇫🇷 França +2.67
🇳🇴 Noruega +2.17
🇵🇾 Paraguai +1.95
🇬🇭 Gana +1.50

México surpreende duplamente: não só está pontuando acima do esperado, como também tem a vantagem de jogar em casa (assim como EUA e Canadá, anfitriões desta edição) — mas isso já está descontado no modelo, então o +2.67 é puramente sobre desempenho.

Decepcionando (por enquanto):

Seleção delta_pts
🇺🇾 Uruguai -2.93
🇸🇳 Senegal -2.25
🇩🇪 Alemanha -2.19
🇹🇳 Tunísia -1.99
🇺🇿 Uzbequistão -1.85

O caso da Alemanha é sintomático: têm o 3º maior número de gols marcados do torneio (11) mas ainda assim decepcionam no delta_pts — sinal de que a defesa (envolvida naquele fatídico 4-5 de pênaltis contra o Paraguai, que na verdade foi 1-1 no tempo normal) está custando caro. Times que fazem muito gol mas também sofrem muito tendem a aparecer aqui, porque o modelo pondera os dois lados.

4. Como cada seleção classificada gosta de jogar

Usando os dados oficiais FIFA EFI (Enhanced Football Intelligence — rastreamento de mais de 4 mil linhas de dados por jogador/partida), conseguimos mapear o estilo de criação de gol de cada seleção: de onde vêm os chutes — jogo combinado por passe, cruzamento, bola parada, condução individual, etc.

As etiquetas táticas mais comuns entre as seleções (todas calculadas por percentil real dentro do torneio, não opinião):

Etiqueta Nº de seleções
Bloco médio (Mid block) 30
Ameaça em bola parada 14
Defesa avara (Miserly defense) 13
Estilo direto 13
Baseado em posse 12
Conduz muito a bola 12
Muito cruzamento 12
Defesa vazada (Leaky defense) 12
Bloco baixo 10
Alta intensidade física 9
Pressão alta 8

O torneio é claramente dominado por equipes de bloco médio (30 das 48 seleções) — a postura mais comum é organizar-se sem se comprometer nem em pressão alta nem em bloco muito baixo. Apenas 8 seleções pressionam de forma genuinamente agressiva o tempo todo.

Um exemplo concreto: a Espanha cria 50% dos seus chutes via jogo combinado por passe, tem "ameaça em bola parada" e "defesa avara" — um perfil quase completo. Já o Egito, curiosamente, é a seleção com menor intensidade física de todo o torneio (último lugar em sprints/jogo e em pressão defensiva aplicada) e ainda assim está invicto, apoiado em eficiência e bola parada.

5. Os dramas dos pênaltis

Dois jogos dos dieciseisavos foram decididos nos pênaltis — e vale destacar um detalhe técnico: as bases de dados públicas (incluindo a do próprio football-data.org) frequentemente misturam o placar da disputa de pênaltis com o placar real da partida. Corrigimos isso na nossa modelagem porque afeta diretamente ELO, saldo de gols e todas as métricas derivadas:

  • Alemanha 1-1 Paraguai (tempo normal) — Paraguai venceu nos pênaltis por 4-3. Nas bases brutas, isso aparecia incorretamente como "4-5".
  • Holanda 1-1 Marrocos (tempo normal) — Marrocos venceu nos pênaltis por 3-2. Aparecia como "3-4".

Sem essa correção, a Alemanha teria 14 gols marcados e 9 sofridos nas estatísticas — na real, são 11 e 5. Faz diferença.

6. O que vem por aí

Com 10 seleções já classificadas às oitavas (Bélgica, Brasil, Canadá, Estados Unidos, França, Inglaterra, Marrocos, México, Noruega e Paraguai) e o restante dos dieciseisavos ainda em andamento, os próximos capítulos do torneio vão testar exatamente os padrões que os dados já apontam:

  • França e Espanha seguem como favoritas destacadas pelo ELO, mas o modelo também mostra que ninguém está livre de instabilidade — os desvios de delta_pts mostram que resultado recente nem sempre reflete nível real de jogo.
  • Seleções com "defesa vazada" (leaky defense) marcado no perfil tático — 12 no total — são candidatas naturais a sofrer surpresas contra adversários com ataque de qualidade.
  • O drama dos pênaltis já apareceu duas vezes nos dieciseisavos; estatisticamente, é razoável esperar mais decisões assim conforme o nível de equilíbrio sobe nas fases eliminatórias.

Metodologia: ELO calculado sequencialmente (rating pré-jogo, não retroativo) com multiplicador por margem de vitória e bônus de mando de campo para os anfitriões (México, EUA, Canadá). Probabilidades via modelo Poisson bivariado com ajuste Dixon-Coles (ρ = -0,18). Dados físicos e de criação de chances via FIFA EFI (fonte: Bustami/efi-fifa-data-wc-2026). Dados de resultados via football-data.org, com correção manual para partidas decididas em pênaltis.

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